Eu estava no meu jardim, parecia mal cuidado, a grama estava alta.
Em frente a mim tinha um varal velho, da minha infância.
Todas as vezes em que estive no jardim eu era uma criança, desta vez não.
Estava no presente e ao olhar para o meu corpo eu estava cheia de gazes brancas e pequenas,
algumas encharcadas de sangue, outras com sangue seco, percebi que aquela era a armadura
que eu tanto tinha orgulho de dizer, nunca foi impenetrável, nunca me protegeu de nada, estanquei machucados de uma vida inteira com aquelas gazes, olhei novamente para o varal e ele disse:
" — Arranca e coloca no varal."
chorei antes mesmo de pensar sobre isso, aquelas gazes já tinham penetrado na minha pele, já fazia parte de mim, e eu teria que arrancar, eu arranquei uma com muita dificuldade, ela estava tão encharcada que eu a torci e saia sangue e lágrimas,
jesus só você sabe, e a estendi no varal.
Nessa noite eu fui dormir com o peito ardendo, sentia dor física, doeu, dói, mas é preciso.
Senhor, meu varal está estendido.

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